Mineiro de Juiz de Fora, o escritor e jornalista Fernando Gabeira elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro pela primeira vez em 1994, 25 anos depois de ter participado do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick. No exílio, vivenciou na Suécia os primeiros movimentos organizados que alertavam para a questão ambiental e por uma alimentação mais saudável. Aquilo o atingiu em cheio. "Fiz uma crítica do meu trabalho anterior e comecei a substituir aquelas causas do passado por causas mais atuais e que me pareciam mais importantes". No retorno ao Brasil, trouxe na bagagem estas novas práticas e ajudou a criar o Partido Verde.
Levou para a política temas como desenvolvimento sustentável, reciclagem e defesa da qualidade de vida. Se no começo enfrentava resistências ao debate ambiental, hoje Gabeira vê um crescente interesse dos demais parlamentares. "A discussão sobre o meio ambiente foi agora estimulada pelos relatórios do IPCC - Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas - que reconheceram a responsabilidade humana sobre o aquecimento global. A questão ambiental tornou-se uma questão de salvação do planeta. Veio para ficar e por muitos e muitos anos vai ser o centro da atenção, porque nós temos que alterar o modo como nós produzimos e consumimos".
Gabeira acredita que esta visão sobre o meio ambiente está provocando uma nova revolução industrial. "Um dos elementos deste processo é a taxação progressiva dos poluidores e o estímulo fiscal à produção limpa, estímulo àqueles que estão se dirigindo para este processo, que na verdade é mais que uma revolução industrial. Vai ser uma revolução no modo de produzir, de consumir e das atitudes humanas". Ele acha que deve ser revista, por exemplo, a "redundância" da cobrança de impostos sobre produtos reciclados.
O deputado fluminense lamenta que a discussão sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos tenha enfrentado tantas dificuldades nas legislaturas anteriores, por causa dos conflitos expressados pelos próprios empresários. Ele defende que o assunto seja tratado, agora, com respeito a todas as correntes. "Não tem sentido uma política de resíduos sólidos que favoreça um grupo em relação a outro. Nossa preocupação é garantir que esta política seja uma política que atenda a todos, sobretudo e principalmente aos interesses do país".
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