Há três anos, persiste o boato na internet brasileira
sobre o risco de contrair leptospirose ao tomar bebidas diretamente
em latas de refrigerantes ou cervejas. A mensagem, assinada pelo
doutor Fábio Olivares, Centro de Biociências e Biotecnologia
da Universidade Estadual do Norte Fluminense, cita o caso de uma
pessoa que teria contraído a doença dessa forma, além
de estudos do Immetro, que comprovariam o perigo de contaminação
das latas. Porém, o médico Olivares afirma nunca ter
feito qualquer declaração desse tipo e o Immetro nega
que tenha realizado qualquer teste em latas de bebida e ainda: a
Secretaria de Saúde de São Paulo afirma não
ter nenhum caso registrado de contaminação de leptospirose
por meio de latas de bebida.
Os fabricantes de latas estão investigando a origem do boato
para poder processar os autores e para isso solicitaram, junto à
Policia Civil de São Paulo, a inauguração de
inquérito policial a fim de apurar a ocorrência de
crime de falsidade ideológica e outros crimes de fundo econômico
ligados a esses boatos.
Os fabricantes de bebidas asseguram a qualidade e integridade de
seus produtos pois respeitam padrões internacionais, além
de normas próprias de produção.
Mas vale orientar a população de que qualquer produto
levado à boca deve ser lavado antes do consumo. Assim fazemos
com frutas, como maças e morangos e assim deve-se proceder
com qualquer embalagem. Enfim, a dica para se evitar problemas é
sempre manter os hábitos básicos de higiene.
O
mito dos lacres da lata
Não se sabe ao certo a origem do boato de que os lacres das
latas de alumínio têm um alto valor comercial. Principalmente
em São Paulo, pessoas de todas as idades passaram a juntar
quilos de lacres na esperança de aumentar sua renda. Segundo
a história, uma garrafa de plástico de dois litros
(com um quilo aproximadamente) valeria mais de R$ 200,00. A única
utilização dada a este material é a confecção
de peças artesanais como vestidos, cintos e bolsas. Contudo,
as cooperativas de artesãs pagam valores muito aquém
do que sugerem os rumores.
A verdade é que as empresas de reciclagem de alumínio
reciclam a lata inteira (com ou sem o lacre), mas não compram
o lacre separadamente. Isso porque o anel da lata é muito
pequeno e pode se perder durante o processo de transporte e peneiragem
do material a ser reciclado.
Além disso, o lacre, assim como o corpo da lata, é
feito a partir de uma liga de alumínio. Ao contrário
do que sugerem os boatos, não entram em sua composição
nem ouro, nem prata e nem platina. Por conter alto teor de magnésio,
a liga de alumínio utilizada para fazer o lacre tem fácil
oxidação nos fornos que derretem o metal, reduzindo
o rendimento da reciclagem e suas chances de ser reciclado isoladamente.
Por incrível que pareça este boato não circula
somente no Brasil, o assunto tem diferentes versões em vários
países. Na Noruega, por exemplo, os lacres seriam trocados
por cachorros guias para cegos. Instituições como
a Faculdade de Odontologia de Piracicaba também são
atingidas pelo comércio dos lacres. A faculdade
chegou a receber 90 ligações em um único dia
por conta de um boato de que comprava os anéis para fazer
aparelhos dentários - mais uma das muitas versões
dessa "lenda urbana".
A indústria de latas, assim como os fabricantes de bebidas,
respeitam padrões internacionais, além de normas próprias
de produção, e garantem a qualidade e a integridade
de seus produtos. As bebidas, assim como qualquer outro produto
- inclusive os naturais como frutas e verduras ficam em armazéns
antes de serem transportados e vendidos em supermercados, bares
e restaurantes. O risco de contaminação, durante este
trajeto, existe para qualquer tipo de embalagem ou produto (você
comeria uma maçã sem antes lavá-la?). A alternativa
para evitar problemas é uma só: hábitos básicos
de higiene.
ABRALATAS - Associação Brasileira dos
Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade SCN, Quadra 01, Edifício América
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