Foto: Alisson Gontijo
Boas práticas no ponto de venda
As indústrias de bebidas e os fabricantes de latas e tampas de alumínio seguem rigorosamente os padrões internacionais e a legislação brasileira, considerada uma das mais rígidas do mundo em relação a embalagens e alimentos, além de normas próprias de produção, transporte e entrega.
Dessa forma, garante-se a qualidade e integridade dos produtos, que chegam aos comerciantes em perfeitas condições de higiene. Mas, assim como frutas, verduras e outros alimentos não industrializados, esses produtos, depois que saem das indústrias, ficam armazenados em supermercados, lojas, vending machines, caixas de isopor de vendedores ambulantes, dentre outros locais ou recipientes. Se as condições de higiene desses locais ou das pessoas que manipularem os produtos não forem adequadas à embalagem, qualquer que seja ela, poderá apresentar sujeiras externamente.
Desta forma, a preocupação com a higiene deve envolver todos os alimentos e bebidas, independentemente do tipo de embalagem.
E a medida mais eficaz, para isso, é a educação da população para a adoção de hábitos básicos de higiene, além da fiscalização dos estabelecimentos comerciais e vendedores ambulantes, para verificar as condições de armazenamento e conservação dos produtos.
Um bom exemplo da eficácia de medidas educativas foi a campanha governamental contra a epidemia de cólera, que mostrava ao consumidor a necessidade lavar bem frutas, legumes e verduras. O resultado foi excelente: a doença foi vencida com a educação da população, sem que fosse necessário penalizar a indústria e os produtores rurais com imposições como, por exemplo, a adoção obrigatória de embalagens especiais ou a obrigação de ensacar alimentos para sua comercialização.
Não há comprovação de que a utilização de selos sobre a tampa das latas seja uma garantia de proteção, tanto que essa medida não é obrigatória em país algum.
O despropósito de medidas que obrigam a indústria a utilizar o "selo higiênico" já foi atestado pela Comissão das Comunidades Européias, órgão equivalente ao governo do conjunto dos países que compõem a Comunidade Européia, e que se sobrepõe aos governos nacionais em matérias de interesse comum. Há alguns anos, o governo italiano analisou projeto de norma que exigia a colocação de invólucro em embalagens metálicas.
Pouco depois, o mesmo governo acabou abandonando o projeto inicial, trocando-o por outro que apenas recomendava a inclusão de informação educativa no rótulo da embalagem. Essa alternativa, entretanto, apesar de mais branda, foi rejeitada pela Comissão sob o argumento de que o rótulo não era o local adequado para prestar este tipo de informação e que a ação proposta resultava num ônus desproporcional ao suposto problema de higiene, além de desestimular o comércio entre os países da Comunidade Européia.
(Clique aqui para visualizar o Anexo XVII)Portanto, ao invés de impor à industria obrigações tão custosas quanto ineficazes, a atenção dos governantes e legisladores deve voltar-se para o que realmente importa, que é a educação pública sobre os mais básicos hábitos de higiene que devem ser observados desde a produção até o consumo, passando pela comercialização e armazenamento dos produtos e embalagens, em geral, e não apenas para as latas de bebidas.

