Foto: Carlos Eduardo
As primeiras latas fabricadas no Brasil, em folha-de-flandres, saíram da Metalúrgica Matarazzo no ano de 1968, a pedido da Skol International Beer, hoje uma marca da AmBev - Companhia de Bebidas das Américas. A lata de alumínio chegou às mãos do consumidor brasileiro apenas em 1989 - novamente um lançamento da marca Skol, que importava as embalagens para atender a demanda nacional.


O estudo e o desenvolvimento da indústria de latas de alumínio foram iniciados na década de 1980, quando a Alcan Alumínio do Brasil Ltda. instalou um laminador a quente na sua unidade industrial em Pindamonhangaba, no Estado de São Paulo. Tratava-se, à época, de um equipamento singular em toda a América Latina, criado para produzir chapas especiais destinadas à fabricação de latas de alumínio para bebidas gaseificadas. O laminador da Alcan representou o primeiro passo para o desenvolvimento desse produto no Brasil.

Em 1982, o Brasil tornou-se auto-suficiente na fabricação de alumínio primário – condição fundamental para a implantação de fábricas de chapas e, conseqüentemente, de latas de alumínio. Desde aquele ano, houve um grande incentivo para o uso do metal com aplicação em diversos produtos que eram importados pelo país ou que utilizavam outras matérias-primas. Em 1988, depois de aperfeiçoadas tecnicamente, as chapas de alumínio produzidas em Pindamonhangaba foram avaliadas em dois laboratórios no exterior: o da própria Alcan, no Canadá, e o da norte-americana Reynolds. A partir daí, a Alcan deu início à produção no Brasil de chapas de alumínio específicas para latas, segmento com expressivo potencial de crescimento.
O ano de 1989 é um marco na história da lata de alumínio no Brasil. Nesta data, por meio de sua fábrica pioneira de Pouso Alegre, em Minas Gerais, a Latasa S.A. entregou as primeiras latas de alumínio produzidas no país, latas de três peças.
O modelo de três peças praticamente desapareceu do mercado após a chegada das latas de duas peças, feitas inteiramente em alumínio. E o volume de produção e vendas surpreendeu: a grande aceitação desse novo conceito de embalagem no mercado gerou altas taxas de crescimento, acima de 30% ao ano. De fato, o mercado cresceu. E muito. Era o início de uma nova era - ou de uma trajetória de sucesso poucas vezes vista no mercado brasileiro de embalagens.
Para atender à demanda cada vez maior, a Latasa construiu seis novas fábricas no Brasil (Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal), elevando a capacidade total de produção da empresa para 7,9 bilhões de latas/ano.
Com números tão expressivos e atraentes, era natural e esperada a chegada de empresas concorrentes. No final de 1996, duas gigantes mundiais do setor se instalaram no Brasil. A primeira delas, a Crown Cork Embalagens S.A., hoje Crown Embalagens S.A., construiu uma fábrica na cidade de Cabreúva, São Paulo, com capacidade de produção de 2,1 bilhão de latas anuais. No mesmo ano, a ANC, depois Rexam do Brasil Ltda., montou sua unidade industrial em Extrema, Minas Gerais, que hoje tem capacidade de 2,1 bilhões de latas de alumínio por ano. No ano seguinte, a fábrica da Latapack-Ball Embalagens Ltda. começou suas operações em Jacareí, São Paulo, e, atualmente, é capaz de produzir até 2,6 bilhões de latas por ano.
Em outubro de 2003, a inglesa Rexam PLC, líder mundial em produção de embalagens metálicas, que já detinha o controle da Rexam do Brasil, comprou os ativos da Latasa S.A. A fusão da Rexam do Brasil com a Latasa resultou na REXAM Beverage Can South America.
Atualmente, a REXAM possui sete fábricas de corpo: Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A Crown Embalagens possui duas fábricas: São Paulo (Cabreúva) e Sergipe (Estância); e uma em construção: Paraná (Ponta Grossa). A Latapack-Ball tem duas fábricas, em São Paulo (Jacareí) e Rio de Janeiro (Três Rios). As três empresas juntas têm uma capacidade de produção de 16,8 bilhões de latas por ano.
As tampas são produzidas pela REXAM, com duas fábricas: Amazonas e Pernambuco; Crown com uma fábrica: Amazonas; e Latapack-Ball com uma fábrica: Bahia.

